Por Vezes a realidade é mais estranha que a ficcao.

Um Cancro uma historia

Novidades!

Capitulo VIII - Na pele de outra pessoa - 28/03/2010

Intruducao Do Livro

Cancro?

Agora que vou fazer…?

Nunca pensei que isto me pode-se acontecer!

Sempre pensei que o Cancro só atingia os outros!

Será que irei morrer?

Quanto mais tempo tenho de vida…?

Já desabafas-te?

Agora pára para pensar um pouco.

Levanta a cabeça e pensa em tudo o que mais amas…

Não queres deixar nada disso para trás pois não?

Então Luta, Luta com todas as tuas forças, tem Fé, Acredita e Vence!

Também tenho a mesma doença que tu, e Nunca vou Desistir

Nunca irei Desistir!

NUNCA!

Esta é a minha história…

A minha Luta contra este sufrágio universal…

O meu dia-a-dia…

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Capitulo V - A Recuperacao

Dois anjos estavam perdidos e não tinham onde passar a noite. Depois de muito procurarem por um abrigo para passar a noite, bateram à porta de uma magnífico palácio. O senhor desse palácio deu-lhes abrigo, mas apesar da sua extrema riqueza, deu-lhe apenas os restos do jantar e o mais pobre quarto do palácio, na cave.
O quarto estava repleto de buracos de ratos e o anjo mais velho tampou todos eles. No dia seguinte partiram…
Mais tarde nesse dia, outra vez à procura de abrigo para passarem a noite, bateram à porta de um pobre casal de agricultores. Estes partilharam a melhor comida que tinham e ofereceram a sua própria cama para os anjos passarem a noite.
Ao amanhecer a única vaca dos agricultores tinha morrido.
Intrigado o anjo mais novo perguntou:
- Como pudeste deixar que a sua vaca morresse, quando nos trataram tão bem? No entanto no palácio onde fomos mal tratados, tapaste ainda todos os buracos do quarto onde dormimos.
- Nem tudo o que parece é… – E continuou.
- Quando tapei os buracos no quarto do palácio, apenas o fiz porque eles davam acesso a um tesouro escondido e assim ninguém o irá descobrir.
Ontem de noite quando o Anjo da Morte veio buscar a mulher eu ofereci a vida da vaca em troca.





Não sou de certo anjo algum, nem tão pouco algum dia quererei ser… Mas o que se passou de seguida na minha vida resume-se completamente à história que vos acabei de relatar.
Passei nesta fase por uma situação de desespero e muita agonia…
Mas se não tivesse passado por essa fase, a minha luta contra o cancro teria sido extremamente mais dolorosa.

Deus escreve, sem dúvida, direito por linhas tortas!

Meia hora depois de ter saído do hospital, cheguei a casa. A primeira coisa que fiz foi, devido às dores e cansaço que senti da cirurgia, vestir o pijama e deitar-me.
Estava ansioso para que a minha namorada chegasse do trabalho, pois ela não fazia ideia que eu já estava em casa.
Por volta das 16:45 ouvi alguém a subir as escadas, sabia, porque senti no meu coração, que era ela. Mas enquanto a ansiedade crescia dentro do meu peito ouvi a minha mãe a negar a passagem para o quarto onde eu estava, com a desculpa que eu precisava de descansar… Foi como que um punhal no meu coração. Depois do que tinha passado, se havia coisa que eu mais queria era ver o meu amor.
Ignorei a minha mãe e chamei a Inês. Desde aí, vi que a cicatriz que tinha no corpo não era nada comparada com a ferida que se estava a abrir no meu coração por causa das acções da minha mãe perante nós.
Quando a Inês me viu, logo de seguida me abraçou e chorou no meu ombro. Foi como que um pesadelo para ela passar a noite sem mim, sem notícias minhas. Sabendo o que ela sentiu, chorei também de contentamento por a ter de novo nos meus braços.
As coisas desde deste dia nunca mais foram as mesmas em casa da minha mãe, discussões cada vez piores e de maior intensidade, uma paz podre que se adivinhava rebentar numa guerra aberta em breve. Tive de suportar tudo isto enquanto curava o cancro…
Mas a rotina diária felizmente não era somente preenchida por discussões, desde a cirurgia que tinha de ir regularmente ao posto médico para fazer análises ao sangue, para continuar o diagnóstico da doença e ajudar a decidir os futuros procedimentos médicos a tomar.
Numa das vezes que fui a clínica fazer os exames regulares marquei uma outra consulta para pedir o SSP para prolongar a minha baixa médica.
Na sexta-feira seguinte fui então á consulta com o meu médico. Falamos de diversos problemas relacionados com a doença, os procedimentos seguintes, o que eu deveria perguntar aos especialistas, com maior atenção aos pormenores de a prótese testicular não ter sido colocada e em relação a recolha de esperma antes da quimioterapia.
Após o fim da consulta e assim que cheguei a casa recebi um telefonema. O meu médico tinha-me marcado uma consulta com o especialista no hospital de Gloucester para que pudesse esclarecer todas as minhas dúvidas o mais rápido possível.
Entretanto a situação em casa continuava a deteriorar-se, cada vez mais problemas, mais ciúmes, mais discussões sem dúvida alguma uma bomba prestes a explodir.
A terça-feira chegou e eu preparei-me para ir a consulta pela primeira vez falar com o especialista. Entretanto tinha recebido os papéis para me candidatar a uma casa arrendada pelo Concil e era sem dúvida essa a maior preocupação da minha mãe. O que ela mais me pressionava a fazer era a mudar de casa, e passou todos os dias antes da consulta a relembrar-me para levar os papéis para o médico preencher sobre a minha doença para que a minha candidatura pudesse andar um pouco mais rápido.
Uma viajem normal de autocarro ate ao hospital e após um pequeno período de espera finalmente fui chamado para entrar no consultório.
Pensei que seria apenas uma consulta como tantas outras que não passaria de referencias técnicas sobre a doença e nada mais… Felizmente foi isso e não só o médico revelou ser um excelente profissional, na minha opinião, por se preocupar comigo como paciente mas também como pessoa e mais particularmente sobre a pressão em que eu vivia enquanto fazia os tratamentos. Entre muitos assuntos ele disse me algo que nunca esquecerei: “Não se preocupe irei me certificar pessoalmente que ira ter o melhor tratamento médico disponível”. Foram palavras como estas que me fizeram ter a atitude certa perante a doença e os tratamentos. Toda a confiança que eu necessitava para enfrentar os pesados tratamentos contra o cancro estava naquela frase.
Depois de todos os assuntos esclarecidos médicos e pessoais, saí do consultório cheio de energia e forcas para o que estava para vir! Lembro-me pensar: “Se o médico irá fazer tudo ao alcance dele para me salvar a vida que mais posso eu fazer se não apenas comparecer as consultas e exames a tempo?” A preocupação dele pela minha vida foi uma sensação maravilhosa, fui tratado como um ser único por um médico que certamente tem multidões de pacientes e esse pormenor mudou complemente a minha atitude perante a doença. Se anteriormente estava cheio de coragem para lutar, depois de ouvir estas pequenas palavras sentia-me invencível.





Quarta-feira 27 de Agosto 2004

A manha começou normalmente, como tantas outras com uma estúpida discussão com a minha mãe, porque estava apenas preguiçoso na cama e estava à espera do último minuto para me levantar.
Deitar-me com gritos, acordar com gritos…
Por fim levantei-me e sai de casa, sem pequeno-almoço tomado, mas aliviado por deixar os gritos da minha mãe para trás.
Era um dia muito importante para mim. Ia fazer o CT Scan para eventualmente saber se o cancro se tinha espalhado ou não.
A viajem de autocarro foi normal e cheguei por fim a tempo ao Gloucester Royal Hospital. O problema foi encontrar o departamento do Raio X, mas passados uns bons 10,15 minutos finalmente a minha procura chegou ao fim.
Entreguei a carta na recepção e mandaram me esperar numa pequena sala de espera.
Pouco tempo depois apareceu um dos radiologistas, explicando, que eu teria de beber três copos de uma solução líquida que iria permitir a eles fazer um melhor diagnóstico a partir do CT Scan. Em seguida veio em minha direcção com três copos dessa mesma solução. Infelizmente não ouvi o seu seguinte conselho, e preferi beber o liquido em “bruto” mesmo depois de ele me ter oferecido para o misturar com um pouco de squash.
Adolescente como sou, pensei para mim mesmo que era homem suficiente para beber os três copos, enquanto o diabo esfregava um olho. Mas assim não aconteceu, como era previsível.
Para além de destroçar o meu ego de adolescente, queimou também algumas das minhas glândulas que definem o paladar.
Sabia tão mal… era como uma mistura de pasta de dentes com extra mentol e um pouco de azedo no fim.
Depois do primeiro copo quase que chorava …
Passados alguns minutos de tentativas falhadas para engolir a solução líquida, um senhor acompanhado da sua família apareceu. Infelizmente ele ia fazer mesmo exame que eu.
Depois de uma breve apresentação entre ambos, o radiologista apareceu de novo com mais 3 copos do sumo angelical, desta vez, para o outro paciente. Ambos comentamos sobre o horrível sabor do mesmo e passados alguns minutos fui então chamado para começar o exame.
Foi me então explicado que para alem do liquido, que tinha alguns minutos antes bebido, teriam de me colocar uma canula para me injectarem com uma outra solução líquida que iria fazer com que todos os meus vasos sanguíneos aparecessem no CT Scan .
Até este ponto tudo bem, o pior estava ainda para vir durante a colocação da canula.
Já por si achei estranho ser um enfermeiro, pois era uma profissão tradicionalmente feminina. Não duvido que haja, de modo algum, excelentes enfermeiros, mas foi o que pensei e senti na altura.
Escolheu uma das veias das costas da minha mão e “sharp scratch “fez a primeira tentativa mas trespassou a veia, mesmo assim relaxei e respirei fundo.
Outra vez, outra veia e fez a segunda incisão, e outra vez a trespassou… não disse absolutamente nada, mas estava desejoso para que ele conseguisse colocar a canula com sucesso.
Outra veia e outra vez a trespassou. Desta vez foi demais, só tive tempo para lhe dizer “ Im going…to…pass…out…” logo de seguida me abaixou a cabeça, retirou a canula e chamou uma maca.
Levaram-me para o corredor e imagino o que o outro paciente que estava comigo na sala de espera pensou, viu-me a entrar cheio de energia e pouco depois a sair numa maca. Colocaram-me no corredor e ofereceram-me chocolates, bolachas e o tradicional “cup of tea”. Enquanto comia controlavam-me os níveis de acucar no sangue e a pressão arterial.
Depois de recuperar, fui levado de novo para a sala de exame e o enfermeiro pediu-me desculpa pelo sucedido e que seria uma enfermeira mais experiente a colocar me a canula
Desta vez sem algum problema a canula foi inserida. Poderia por fim começar o CT Scan.
Deitei-me na maca e puseram me dentro da máquina ao mesmo tempo me ligavam a canula ao saco onde estava a solução aquosa que iria permitir ver os meus vasos sanguíneos nas radiografias.
O único problema foi essa solução ter um efeito secundário um pouco curioso:
- Após os primeiros minutos do líquido entrar no corpo ira sentir uma sensação de calor em várias partes do corpo!
Ira fazer com que pareça que ficou com uma espontânea e enorme vontade de urinar. – Preveniu me o enfermeiro.
Nunca pensei que seria uma sensação tão real, mas era exactamente a mesma sensação e alguns minutos depois estava eu a dizer para mim mesmo:
- Será que isto é o efeito ou estou a urinar?
Decidi verificar, estava seco pelo menos. Mas a sensação continuou e eu estava cada vez mais preocupado, mas com o começar do exame o meu pensamento mudou e esqueci me disso.
O início do exame é um pouco assustador. Estamos deitados na maca e somos com que inseridos automaticamente dentro da máquina. Estamos fechados e temos uma enorme circunferência em volta de nos.
Que roda enquanto tira como que “fotografias” ou “imagens” do nosso corpo.
Um barulho mecânico, parecido com alguns dos barulhos dos filmes, de naves espaciais.
Vvvvuuummmm zzzzzz e logo a seguir começa o actual exame com todas as instruções dos enfermeiros. Coisas simples como “não respire””encha o peito de ar” coisas desse género.
Tudo correu normalmente e no fim tinha de ficar á espera de uma carta do médico com o resultado do exame.
A saída da sala de exame todas as enfermeiras me perguntaram se tinha corrido tudo bem e como estava o diagnóstico geral a correr.
Depois dessa breve conversa voltei de novo a estação dos autocarros dirigindo me de volta a casa da minha mãe.
Sai de casa com discussão e com discussão voltei a entrar.
Adivinhava-se mais um longo dia de discussão naquela casa.
Cheguei a casa por volta das duas da tarde!
A discussão não tinha ainda acabado, mesmo depois de ter explicado a minha mãe o que se tinha passado durante o exame, a sua atitude não melhorou, antes pelo contrário.
Depois de almoçar, fui para o meu quarto e passei a tarde toda a ver diversas competições dos jogos olímpicos ate a minha namorada chegar do trabalho.
Durante essa tarde a minha mãe não me disse mais nada, porque eu a ignorava e não respondia aos seus insultos e agressões verbais.
Mas quando a minha namorada chegou o que ela fez foi para além de todos os limites.
Ela vinha cansada do trabalho e como a minha mãe já não me conseguia atingir com os seus insultos, mudou de alvo.
Após alguns minutos dela ter chegado inventou que ela tinha de arrumar a casa e que não podia descansar.
Quando a questionei sobre o que se passava, apenas respondeu:
- Eu sou a rainha.
Não pude conter mais o sentimento de raiva que se tinha vindo a acumular desde essa manha.
Uma discussão de grandes proporções se iniciou!
A partir desse momento diversas coisas aconteceram.
Que não deveriam ter acontecido, mas era inevitável! Chegou um ponto onde a minha mãe começou a tirar as roupas das gavetas dizendo para irmos para a rua.
Na altura pensei que fosse só da boca para fora, mas a minha namorada também tinha chegado ao limite da sua paciência depois de alguns messes sobre a ditadura e ciúmes da minha mãe.
Vi que não tinha saída e a minha mãe usando métodos violentos pos-nos na rua.
Durante a discussão mandei uma mensagem escrita a nossa vizinha Anita para, se pudesse, nos ajudar!
Passados alguns minutos ela apareceu e a discussão voltou reacender.
A minha mãe já nos tinha posto na rua mas ainda queria mais que isso.
Num acto covarde tentou agredir a minha namorada enquanto eu não estava presente.
Felizmente a Anita tinha acabado de chegar e parou-a.
Nunca me irei esquecer desse momento e especialmente do que a Anita disse a seguir a minha mãe:
- Eles já estão fora da tua casa.
- O que queres mais?
Pedi a Anita se podia deixar as nossas roupas na sua casa e tentar arranjar uma solução para o problema. Fomos para sua casa. Deixando a casa da minha mãe para orgulhoso como sou, nunca mais lá voltar.
Apenas me voltei para trás e disse-lhe que ela se haveria de arrepender daquilo que nos fez.
Ela haveria de me pedir desculpa e haveria de ir bater á minha porta…

Nunca pensei que a minha mãe fosse capaz de fazer tal coisa. Por um filho na rua apenas com as suas roupas mais nada… Tirando um cancro com proporções ainda a diagnosticar. Não tenho palavras para explicar o que lhe tenha passado pela cabeça.
Não lhe fiz nada de errado. Ainda tinha de lhe pagar uma renda e o concil TAX, que mais ela poderia querer?
Que mal lhe fiz eu para ela tomar tal atitude?
Em parte sinto pena por ela… Uma mãe não pode estar mentalmente bem para fazer o que ela fez a um filho.
Na minha opinião é um espelho da sociedade portuguesa.
Eu tinha cancro e em Portugal toda a gente te vira as costas porque tem medo de se relacionar com uma pessoa que possivelmente venha a falecer devido ao cancro.
Assim ela fez!
Mesmo inconscientemente penso que foi essa a razão da sua atitude.
Ela tinha medo que eu não sobrevivesse e possivelmente arranjou todos os argumentos possíveis para me por fora de casa para que não me ver morrer.
É a única razão lógica que consigo elaborar, todas as outras são demasiado cruéis para eu sequer as ponderar!

Mas obrigado mãe a tua atitude salvou-me a vida!

Nunca se esqueçam de uma coisa…

Quando uma porta se fecha, outra se abre.
Apenas nunca desistam de procurar.

Um comentário:

Johnny disse...

Sinceramente tou a pensar mudar de país, entre varias razoes, por exemplo, em portugal nao temos acesso a medicos competentes e bem formados. Das consultas gerais ate as poucas consultas externas a que tive de ir por motivos de saude, os medicos sempre me trataram como se tivessem muito ocupados e sempre a despachar. Fazem raciocinios ilogicos e completamente infundados de um doença que possamos ter e ja tive o "prazer" de conhecer muitos casos de pessoas que por muita sorte não morreram ou ficaram seriamente feridas devido a casos de overdose de medicamentos pq os farmaceuticos e entre outras pessoas informaram-nas de que as dosagens dos medicamentos recomendados pelos medicos eram completamente exageradas. Houve uma vez que nunca me esquecerei, estava eu com um crise de alergia e informei a medica do que se estava a passar e ela vira-se e diz: "entao e o que eh que voce quer que eu faça?"... Deu me vontade de lhe dizer, diga me voce que eh medica...duh.. -.-'

Sobre o seguinte, mesmo essa razao me parece demasiado covarde para qualquer mae sequer a pensar. Nao acho que seja o espelho de toda a sociedade portuguesa, embora grande parte prefira olhar para o lado enquanto se fazem as asneiras todas possiveis e imaginarias.. Eh uma tristeza mas eh um facto, dai portugal estar da maneira que esta.. Ontem foi a Casa Pia, hoje eh o apito dourado amanha eh o Caso Freeport... E andamos nisto, senao forem os jornalistas a tirarem estas coisas ca pra fora ainda sao capazes de se vangloriar de como sao pessoas inocentes e exemplares. - johnny