Por Vezes a realidade é mais estranha que a ficcao.

Um Cancro uma historia

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Capitulo VIII - Na pele de outra pessoa - 28/03/2010

Intruducao Do Livro

Cancro?

Agora que vou fazer…?

Nunca pensei que isto me pode-se acontecer!

Sempre pensei que o Cancro só atingia os outros!

Será que irei morrer?

Quanto mais tempo tenho de vida…?

Já desabafas-te?

Agora pára para pensar um pouco.

Levanta a cabeça e pensa em tudo o que mais amas…

Não queres deixar nada disso para trás pois não?

Então Luta, Luta com todas as tuas forças, tem Fé, Acredita e Vence!

Também tenho a mesma doença que tu, e Nunca vou Desistir

Nunca irei Desistir!

NUNCA!

Esta é a minha história…

A minha Luta contra este sufrágio universal…

O meu dia-a-dia…

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Capitulo II - Os Avisos

Há cerca de um ano atrás reparei que algo de estranho se passava com o meu testículo esquerdo. Tinha como que uma pequena bola a mais agarrada a ele mas pequena, cerca de 1, 2 centímetros.
Naquela altura nunca dei importância ao que poderia ser, pois como fazia desporto na altura pensei que provavelmente teria sido o resultado de uma jogada mais dura. Nunca tive dores, nunca urinei sangue e fui me esquecendo…
Durante esse período de tempo dava na TV. uma telenovela em que uma das protagonistas foi vítima de cancro da mama. Sinceramente naquela altura nunca pensei que eu também pode-se vir a ser uma vítima do mesmo e pensei que o drama que ela fez, mesmo sendo uma telenovela foi exagerado… Tanto choro por causa de se perder o cabelo com a quimioterapia... em vez de se transmitir uma mensagem de luta, passou-se a pior que se poderia imaginar. É bom alertar para todos fazerem um diagnóstico prévio da doença, mas será que ninguém pensou nas pessoas que estavam na oncologia a ver? Aqueles que estavam ainda à espera de começar o seu tratamento? Nem quero imaginar o que sentiram…
Infelizmente eu não dei importância a essa coincidência ou quem sabe aviso e nunca imaginei o que estava para vir.
Passaram-se meses após eu ter descoberto a pequena bola e algo de estranho começava a aparecer. Em alguns dos meus boxeurs aparecia sangue, mas voltei a pensar que nada seria. Seria talvez uma ferida ou pudesse estar aquela região assada mas nunca pensei que tivesse sido provocado por aquela pequena bola.
Era completamente ignorante perante o cancro e nunca pensei que fosse algo de importante. Infelizmente em Portugal nunca vi nenhum tipo de cartaz se quer a alertar para este tipo de cancro, sendo o mais comum entre jovens do sexo masculino. Alguém me pode explicar porque?

Quando vim para Inglaterra tive como que o meu segundo aviso. Numa tarde enquanto falava com uma amiga minha ela disse-me que um dos amigos dela do colégio estava prestes a morrer com cancro. Foi um choque imenso para mim saber que um jovem adolescente aproximadamente com a minha idade ira por fim morrer com cancro. Nunca pensei que o cancro fosse uma doença tão comum infelizmente como é.
A conversa desenrolou-se assim:
Estávamos os dois em casa dela, enquanto o seu cão corria animadamente, como sempre, pela sala.
- Estou triste…
-Que se passou? – Disse eu apenas para me fazer de atencioso.
-Fui ver um colega meu do Colégio, ele tem cancro e hoje fizemos um pequeno encontro na casa dele, como se fosse uma pequena festa.
- Humm… Está bem se isso te faz ficar triste… – Respondi
- Não é só – Interrompeu ela.
- O meu colega tem cancro e infelizmente já não tem muito mais tempo de vida, foi por isso que fizemos este pequeno encontro na casa dele, como se fosse uma festa de despedida... Ou melhor de boa Viagem… Os médicos disseram que ele não irá sobreviver muitos mais dias.
Fiquei chocado com o que tinha acabado de ouvir. Durante toda a minha adolescência a Morte e o Absurdo da vida foram preocupações que não levei de ânimo leve e agora tinha ali um exemplo mórbido da efemeridade da vida.
Mesmo assim voltei a Insistir:
- Mas não há mesmo nada que os médicos possam fazer? – Perguntei.
-Não, penso que não, ele já anda há muito tempo em tratamentos e diz que já está também farto de sofrer… De alguma maneira sente-se feliz por saber que o seu sofrimento vai acabar.
Depois de ela acabar de dizer esta frase fiquei perplexo… O sofrimento dele vai acabar? Mas como pode ele saber que o que está par além da vida será melhor que continuar a viver…?
Como pode alguém ficar conformado com a ideia que irá falecer em breve? Todos temos a nossa hora, mas… desistir da vida? Doeu-me no peito depois de reflectir sobre esta conversa… Senti uma revolta imensa dentro de mim… Infelizmente nada poderia fazer.
Dias mais tarde soube que esse seu colega tinha falecido.
- Que Deus guarde em paz a sua alma…

Foi doloroso até para mim. Não o conhecia mas sabia a sua história.
Não foi a primeira vez que estive próximo de um doente com Cancro, também um primo meu tinha falecido já há alguns anos da mesma doença. Nessa altura senti que o Cancro pode mesmo consumir qualquer pessoa. Mas nunca pensei que eu também poderia estar infectado com o mesmo.
Nunca sonhei que eu pudesse vir a ser uma próxima vítima.

Quando voltei a Portugal tive o meu 3 aviso. Durante os testes médicos que fiz para entrar na F.A.P. aconteceu uma das maiores coincidências. O colega que foi antes de mim, tinha também um tumor num dos testículos e também ele estava completamente ignorante para o que poderia ser. Infelizmente lembro-me tão bem como se fosse hoje:
- Dispam-se, fiquem só em meias e cuecas e vem um de cada vez quando eu chamar.
Depois de ouvir as instruções médicas dadas ao meu colega que foi em primeiro lugar, percebi logo do que se tratava.
- Baixe as cuecas…
- Levante a pilinha…
- Pode baixar e ir-se vestir…
Assim como se de uma linha de produção se trata-se foi se simultaneamente repetindo. Ate que ouve uma falha nessa mesma linha de produção.
Outro colega meu entrou e tudo se começa a repetir…
- Baixe as cuecas…
- Levante a pilinha… – E de repente como se tivesse havido uma falha no sistema do computador a frase seguinte não foi igual à de todos os outros.
- Ééééé lá…
- Mas o que é isso?
Todos demos uma gargalhada pela reacção do medico… Até o próprio médico se deleitou com a situação dizendo:
- Temos aqui um caso raro para investigação.
Ignorantes que fomos, rimos ainda mais…
- Amanhã vai a uma consulta na urologia. – Disse o médico.
Continuou como se de uma máquina programada se tratasse.
- Baixe as cuecas…
- Levante a pilinha…
- Pode baixar e ir-se vestir…
A minha vez não foi diferente, foi infelizmente igual à dos outros meus colegas que nada tinham… Apesar de ter o inchaco no testículo esquerdo o medico nada disse, e de alguma maneira hoje penso que foi mais um aviso que não reconheci…
À saída do consultório todos perguntámos mais pormenorizadamente o que se tinha passado.
- Então? Que raio foi aquilo que o medico encontrou?
- Não faço ideia, nunca senti nada, nem nunca achei nada estranho – Respondeu ele.
- Mas que se passou? – Insistimos nós.
- O médico disse que um dos meus testículos é maior que o outro… Vamos lá ver agora amanhã na consulta da urologia.
Fomos para casa…
Dias mais tarde foram os exames físicos, mas esse meu colega não lá estava. Ficámos a saber que tinha chumbado nos exames médicos depois da consulta e nunca mais voltamos a dar atenção ao sucedido, tirando numa piada ou outra.
Agora penso um pouco mais consciente para o problema que o meu colega tinha e já não me rio, já não acho piada alguma à situação. Só espero que tudo esteja ou tenha corrido bem ao meu colega, porque eu, ignorante que fui não consegui perceber o meu terceiro aviso.

Meses depois voltei de novo para Inglaterra desta vez com o meu amor na bagagem também.
Ao princípio tudo corria bem, mas logo a minha mãe fez com que a minha vida se torna-se num pequeno inferno. Enfim…

O último aviso que tive foi sem dúvida como se uma escala houvesse o mais forte, não poderia simplesmente virar-lhe a cara.
Numa das minhas visitas ao centro médico reparei num cartaz muito curioso que estava afixado mesmo a minha frente: Dois jogadores de rugby em que um estava a agarrar nas partes mais delicadas do outro e o slogan dizia: “ Checked your tackle?” e continuava mais a baixo: “ Testicular cancer is the most common cancer amongst young man” “Check yourself monthly, Testicular self examination could save your life, See your doctor if you have any of this symptoms ” “Check for, Hard painless lumps, Collection of fluid in the scrotum, One testicle getting heavier or larger.
Depois de ler e reler. Não tinha como negar este aviso, tinha de fazer algo. Eu sabia o que tinha, sabia que não era normal e agora estava perplexo com o que poderia ser…
Assim que cheguei a casa falei com a minha namorada. Mas ambos pensávamos que nunca iria acontecer uma coisa assim a qualquer um de nós. Ignorantes continuávamos a pensar que o cancro só era diagnosticado aos outros. Mesmo assim, apesar do descrédito geral no que poderia ser, pedi à minha mãe para se marcar uma consulta para se tirar toda e qualquer dúvida.

Hoje quando volto a pensar nesta parte da minha vida, não posso negar que foram avisos. Quatro acontecimentos seguidos, numa escala cada vez mais próxima, não podem ser apenas coincidências. Primeiro a novela, segundo a conversa com a minha amiga, terceiro o meu colega na F.A.P., e por fim frente a frente com o cartaz.
Enche-me de alegria e coragem para enfrentar o que esta para vir, saber que algo ou alguém cuida de mim de uma forma muito especial. Sendo cristão e católico, chamo-lhe, O meu anjo da guarda.
Obrigado por estes avisos ou coincidências…

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