Por Vezes a realidade é mais estranha que a ficcao.

Um Cancro uma historia

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Capitulo VIII - Na pele de outra pessoa - 28/03/2010

Intruducao Do Livro

Cancro?

Agora que vou fazer…?

Nunca pensei que isto me pode-se acontecer!

Sempre pensei que o Cancro só atingia os outros!

Será que irei morrer?

Quanto mais tempo tenho de vida…?

Já desabafas-te?

Agora pára para pensar um pouco.

Levanta a cabeça e pensa em tudo o que mais amas…

Não queres deixar nada disso para trás pois não?

Então Luta, Luta com todas as tuas forças, tem Fé, Acredita e Vence!

Também tenho a mesma doença que tu, e Nunca vou Desistir

Nunca irei Desistir!

NUNCA!

Esta é a minha história…

A minha Luta contra este sufrágio universal…

O meu dia-a-dia…

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Capitulo I - Quem Sou

Quem sou…
(Breve Historia da Vida do Autor)

Nasci na cidade do Barreiro onde a minha família morava na altura. A minha família esteve sempre separada por problemas que em pequeno não entendia. Filho de um pai do qual não tenho recordações na minha infância. Tirando o que me contaram posteriormente acerca dele…
Assim sendo sempre vivi em casa dos meus avós maternos com a minha mãe e tio, irmão dela.
A certa altura da minha vida o meu pai apareceu, como se fosse magia e ambos alugaram uma casa na mesma cidade, mas eu nunca fui capaz de ir viver com eles. Em pequeno dava sempre a desculpa que era melhor para mim e convencia sempre os meus avós a ajudarem-me a ficar em casa deles…
Hoje sei que os meus pais eram viciados em drogas enquanto eu era mais novo. A minha mãe ficou-se pelas drogas leves mas o meu pai nunca mais parou… e para além de ter contraído Hepatite C, destruiu a maior parte da sua vida.
Acumulando a esta desordem, eram e foram presentes durante toda a minha infância, inúmeras cenas de violência doméstica. Continua a ser para mim horrível relembrar esses momentos…
Quando olho para trás e penso no que se passou enquanto ainda não percebia as coisas, sinto uma revolta interior pela falta de responsabilidade dos dois. Felizmente os meus avós fizeram o papel de meus pais até aos meus 18 anos. Os meus pais apenas me ensinaram duas coisas, que foram ate hoje muito úteis: O perigo das drogas e ser responsável.
Infelizmente não posso dizer que a história da minha infância é única. Infelizmente são milhares os casos idênticos ao meu.
Assim se a alguém devo a educação que tenho é completamente aos meus avós. Se não fossem eles nada tinha… Obrigado.

Aos meus 11 anos de idade a minha mãe decidiu emigrar para Inglaterra, com um namorado que tinha arranjado 15 dias antes…
Não me fez muita diferença, não senti muito a sua falta, não senti saudades, e até fico triste por não as ter tido. Mas que posso fazer? Se ela nunca esteve presente na minha educação como homem…
Nos últimos anos que esteve em Portugal nem dinheiro para se sustentar tinha…
Recordo-me de um dia depois de um jogo de futebol que tive com a minha equipa, em vez de ter ido para casa dos meus avós, pensei que fosse uma agradável surpresa ir visita-la e como não tinha ainda almoçado, almoçar lá. Mas não, não fui recebido como um filho deve ser. Ela vivia na altura com outra amiga, que já faleceu, e o seu filho, mais um ou outro namorado que ia aparecendo…
Nesse dia estava lá um deles.
Fui como que expulso da casa da minha própria mãe. Talvez por ter interrompido a agitada actividade sexual que ambos estavam a ter no quarto. Mesmo depois de explicar que apenas tinha ido a sua casa para lhe fazer uma visita e porque estava cheio de fome, almoçar, mandou-me de volta para casa dos meus avós de barriga vazia…
Fui trocado por um namorado dela. Naquele dia foi mais importante o seu prazer sexual do que eu.
No fim foi só mais uma entre tantas outras coisas que aprendi com os maus exemplos que ela me deu.

Os meus avós sempre foram o oposto dos meus pais, responsáveis, trabalhadores e muito sociáveis. Graças a eles pude ter apesar de tudo uma vida normal.
Completei a Escola até ao Secundário e sempre fiz desporto graças a eles.
Joguei Basquete no F.C.B durante 6 épocas onde encontrei magníficos amigos e companheiros, éramos como uma família, para além dos inúmeros títulos que ganhámos, sempre que convivíamos juntos era imensamente agradável… e adoro recordar esses momentos… em especial dois: O primeiro foi uma conversa que tive com o Pedro e o Daniel enquanto estávamos no torneio Inter-Regional, pela selecção regional de Setúbal, assim como toda a viagem que fizemos até onde íamos jogar… Adoro simplesmente recordar esses momentos. O segundo foi quando fomos campeões nacionais juntos… Momentos formidáveis que passei…

Mas a vida bate à porta de todos e depois de ter acabado o ensino Secundário tinha de decidir a minha vida. Entre todas as opções que tinha, escolhi vir viver com a minha mãe e o meu irmão, que tinha nascido 5 anos antes. Filho do namorado que a levou para Inglaterra.
Assim aconteceu, dia 6 de Setembro voei do Aeroporto de Faro para Bristol… mas as coisas não correram bem e dois meses depois regressei a Portugal. Já tinha visto aquela vida: Violência doméstica junta com Drogas. Desta vez estava a ve-la, infelizmente, na terceira pessoa. Era o meu irmão que estava no lugar onde eu também já estive, e o que aconteceu irá prejudica-lo para todo o desenrolar da sua vida… Mas isso, nenhum deles vê ou quer ver. O pior é que ele não irá ter os nossos avós para o criar e tenho medo que ele se torne tal como eu a representação do falhanço dela como Mãe.

Voltei no dia 22 de Outubro para Portugal e por influência da minha namorada e da sua família voluntariei-me na F.A.P.
Fui incorporado no dia 19 de Janeiro, mas rapidamente vi que não era o estilo de vida que queria levar, não coincidia com a minha natureza… E uma semana depois abandonei essa vida.
Todos disseram que eu tinha errado ao fazer isso, que o meu futuro se encontrava ali, mas hoje estou orgulhoso de mim mesmo por ter desta vez ido pela minha cabeça e ter feito o que de melhor pensei para mim…
Entretanto tinha de encontrar trabalho para mim, não poderia de maneira alguma ficar em casa sem nada que fazer, ainda pior ficaram as coisas depois do que veio a acontecer.
Depois de alguns avisos da minha namorada, que nunca foram por mim escutados, ela saiu de casa, e veio para a minha casa, isto porque toda a sua vida sofreu maus-tratos da sua avó. Sinto-me até um pouco mal agora por nunca lhe ter dado ouvidos.
Estava deitado no meu sofá quando ela me ligou para o telemóvel dizendo que iria sair de casa por causa desses mesmos contínuos maus-tratos, vesti-me e fui ao seu encontro.
Ela estava uma lástima. Levei-a para minha casa e desde aí nunca mais nos separamos.
Continuei o meu dia a dia a tentar arranjar trabalho, mas entre ofertas e propostas acabei por ir dar serventia ao meu avô que trabalha como estucador artístico, um trabalho duro digo-vos mas o ordenado por fim compensou.
De todas as maneiras que o poderia ter gasto tomei mais uma vez a decisão correcta.
Marquei dois bilhetes de avião de Faro para Bristol e trouxe comigo a minha princesa para tentarmos arranjar a nossa vida num país melhor que Portugal.
Demorou cerca de 1 mês ate arranjar trabalho e foi um provisório. As coisas em casa da minha mãe não tinham melhorado um centímetro. O meu irmão continuava a crescer no mesmo ambiente que há 5 meses atrás e todos os outros problemas lá continuavam. A acrescentar a tudo isso, na minha mãe foi crescendo um ciúme imenso por causa da minha relação com a minha namorada e foi neste clima que o meu cancro foi diagnosticado. Foi sem dúvida o pior momento em que poderia aparecer. É a partir de ai que a minha luta contra o Cancro começou.

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