Acordar na manha seguinte foi um sonho e também uma nova aventura, uma aventura de descoberta para todos nós.
Despertamos ambos ao mesmo tempo praticamente, a minha namorada tinha de ir trabalhar e estávamos um pouco sem vontade, como seria de imaginar. Vestimo-nos e quando saímos do quarto sentia-se no ar um cheiro memorável a café… A senhora estava-nos a preparar o pequeno-almoço. Cumprimentamo-nos e ela estipulou logo uma regra em seguida: - “De hoje em diante não quero que me chamem mais pelo meu nome, vocês são para mim como meus netos, são o meu 22 e 23 netos e eu prefiro que me chamem de avó.”
Ficamos ambos chocados como o que ela tinha acabado de dizer mas por dentro extremamente tocados pela sua atitude.
A minha namorada saiu para ir trabalhar. Não voltei para a cama, em vez disso vesti a roupa do trabalho e fui para o jardim e comecei a trabalha-lo.
Limpar todo o jardim, tirar as ervas daninhas, dar-lhe a beleza que antes tinha.
A granny tentou por todos os meios impedir-me mas no fim foi uma experiência também muito agradável para ela, visto que ela não aproveitava o belo jardim que tinha, passando a maior parte do tempo dentro de casa, apreciando a natureza apenas pela janela. Comigo a limpar o jardim ela pode apreciar tudo e ao mesmo tempo sentir-se protegida por eu estar com ela. Para mim foi também algo muito bom. Estava farto de estar fechado em casa, farto de não poder trabalhar, farto de me sentir inútil.
Tinha cancro mas não era por isso que não podia trabalhar. Para além disso, ver todos os dias a minha namorada ir trabalhar e eu ficar em casa era algo que me dava volta ao estômago. Talvez seja um pouco machista mas foi a maneira pela qual fui educado. O homem ficar na cama e ver a mulher ir trabalhar nunca me iria entrar na cabeça, mesmo eu tendo cancro sentia-me mal por isso…
A hora do almoço chegou e com a conversa animada a granny apresentou-me toda a sua família por fotografias os seus filhos, netos, e irmãs. Eu contei a parte da minha história, como conheci a minha namorada, as nossas famílias etc… e nesta conversa ela confessou-me algo: - “ Quando te vi à minha porta, logo após te ter encontrado na igreja, não me lembrava da tua cara nem do que tinhas sequer vestido. Apenas me lembrava da cruz que tens ao peito e dos teus olhos. Mas foram esses mesmos que me abriram o coração para ti, pelos teus olhos é possível ver-se a tua beleza interior…”
Apenas respondi que era apenas normal. – “ Sou apenas um como tantos outros granny” e voltei ao trabalho.
Por volta das 5 da tarde a minha namorada chegou e a granny disse que se iria retirar para o seu quarto e deixar-nos viver como em família a nossa primeira noite.
Cozinhamos a nossa primeira refeição juntos e jantamos pela primeira vez sozinhos como família. Um momento inesquecível da minha vida.
Felizmente nos dias que se seguiram todos eles se tornaram inesquecíveis e as surpresas ainda não tinham ficado por aqui.
No dia seguinte pela hora do almoço outra surpresa esperava-nos. A nossa granny decidiu nos oferecer a nossa cama. A principio recusei mas tive de aceitar o inevitável e assim a tarde fomos ver a cama à loja. Era mais que perfeita e sem mais conversas a gran
ny compro-nos a cama.
Tínhamos onde nos deitar, tínhamos onde comer e mais importante que tudo tínhamos paz. Era perfeito. O meu paraíso na Terra.
Os dias seguintes foram como uma escola de conhecimento. Aprendi imenso com as pessoas que conheci e com as histórias que a granny me contou. As histórias de seus pais terem acolhido um órfão em Viena durante a 1 Guerra Mundial e quando ela acolheu uma viúva e seus dois filhos durante a 2 Guerra Mundial, isto para me explicar que a sua família não era estranha a este tipo de coisas.
Contou-me todas as historias do seu marido, Rudi Lomberg, que tinha lutado pela Alemanha durante a segunda guerra e veio para Inglaterra como POW (Prisioner Of War) , mas também ele foi acolhido mais tarde por uma família inglesa e mais tarde conheceram-se os dois no primeiro dia do colégio e desde aí não se separaram.
O facto de o Rudi ter lutado por uma Europa NAZI não quer dizer que ele quisesse mal a ninguém, antes pelo contrario ele era uma excelente pessoa, amorosa e amigável com todos os diferentes povos os quais a Alemanha assimilou durante 1939-1945. A moral desta historia é que todas as pessoas são diferentes e assim sendo em todas as religiões, países, etc, existem pessoas boas e más. Não é o facto de ter lutado por um governo NAZI que pretendia aniquilar a raça judia, o faz uma má pessoa, nem todos os soldados alemães queriam lutar e acredito que se lhes dessem a escolher nenhum deles quereria matar.
Aprendi o verdadeiro valor do dinheiro, em poucas palavras não vale nada. O dinheiro pode te comprar todos os bens materiais que quiseres mas é isso que interessa na vida? São os bens materiais que tens que interessam? Quando morreres, leva-los contigo?
É algo inexplicável como o ser humano em vez de cultivar amor pelo próximo cultiva ganância. Aprendi com as histórias da sua vida de pobreza que o dinheiro não interessa, amor é o mais importante na nossa vida.
Com isto é fácil ver como fui recebido pelos seus filhos: Nenhum deles questionou a minha história ou a sua veracidade, apenas me acolheram de braços abertos, como um deles. Foram todos eles formidáveis para connosco, especialmente a sua filha.
Aprendi imenso e cresci imenso vivendo naquela morada. Tinha paz agora para poder pensar na minha vida e para resolver o meu problema de saúde.
Foi um milagre a minha mãe nos ter posto fora de casa e, se assim ela não tivesse feito, nós teríamos ficado privados de tamanha aprendizagem sobre a vida.
A nossa vida continuou neste ritmo e fui por duas vezes mais ao hospital mas apenas para o cirurgião verificar se tinha recuperado bem da cirurgia e tive então a oportunidade de mudar a minha morada para qualquer carta ou aviso que eu tivesse de receber.
Quarta-feira, 16 de Setembro 2004
Dias mais tarde a minha mãe telefonou-me dizendo que tinha uma carta para mim. Era provavelmente do médico com novidades.
Disse á Granny do que se tinha passado e peguei na bicicleta e logo fui em direcção a casa de minha mãe.
Indo pelos vales e subindo e descendo montes em vez de simplesmente ter ido pela estrada lá cheguei.
Pedi-lhe para que me entregasse a carta e as coisas que eu tinha lá deixado quando nos fomos embora… Ela pediu para que eu entrasse mas recusei, o meu irmão veio á porta e dei-lhe um abraço sentido. Peguei nas minhas coisas, abri a carta e preparei-me para me ir embora… A minha mãe perguntou-me o que a carta dizia, disse-lhe que ela não tinha nada a ver com isso, se tinha feito o que fez não precisava de saber.
Saí deixando ela para trás a chorar. No fim da rua encontrei a Anita que me perguntou o que é que eu tinha ido lá fazer, disse-lhe que foi por causa da carta e contei-lhe o que se tinha passado ao que ela respondeu:
- Tomaste a decisão acertada!
Despedi-me dela, dei mais umas pedaladas e senti um aperto enorme no coração. O que tinha feito estava errado. Voltei para trás e fui abraçar a minha mãe que acabou por chorar nos meus ombros. Em seguida disse-lhe o que a carta dizia:
“Tentei contacta-lo pelo telefone mas chegou-me a informação que o senhor não vive mais na mesma morada. Estou contente de lhe informar que no CT Scan não se encontram nenhuns sinais de o cancro se ter espalhado e assim só irá necessitar de duas sessões de quimioterapia.
Ficar-lhe-ia extremamente agradecido se me pudesse contactar para podermos organizar as consultas para que o tratamento fique completo o mais rápido possível.”
Ficamos ambos imensamente contentes com as noticias e logo me pus a caminho de casa da Granny para contar a boa nova.
A minha namorada já estava em casa e depois de lhe ter contado o que a carta dizia ambos celebramos.
Na manha seguinte contactei a secretaria do médico dando-lhe a nova morada e o novo número de telefone. Agora apenas teria de esperar que me voltassem a contactar.
Do muito mau, para o muito bom. A vida muda num só dia, quando menos esperas tudo muda, cabe-te a ti estar preparado para essas mudanças…
Sempre a espera do melhor. Mas sempre preparados para o pior!
Despertamos ambos ao mesmo tempo praticamente, a minha namorada tinha de ir trabalhar e estávamos um pouco sem vontade, como seria de imaginar. Vestimo-nos e quando saímos do quarto sentia-se no ar um cheiro memorável a café… A senhora estava-nos a preparar o pequeno-almoço. Cumprimentamo-nos e ela estipulou logo uma regra em seguida: - “De hoje em diante não quero que me chamem mais pelo meu nome, vocês são para mim como meus netos, são o meu 22 e 23 netos e eu prefiro que me chamem de avó.”
Ficamos ambos chocados como o que ela tinha acabado de dizer mas por dentro extremamente tocados pela sua atitude.
A minha namorada saiu para ir trabalhar. Não voltei para a cama, em vez disso vesti a roupa do trabalho e fui para o jardim e comecei a trabalha-lo.
Limpar todo o jardim, tirar as ervas daninhas, dar-lhe a beleza que antes tinha.
A granny tentou por todos os meios impedir-me mas no fim foi uma experiência também muito agradável para ela, visto que ela não aproveitava o belo jardim que tinha, passando a maior parte do tempo dentro de casa, apreciando a natureza apenas pela janela. Comigo a limpar o jardim ela pode apreciar tudo e ao mesmo tempo sentir-se protegida por eu estar com ela. Para mim foi também algo muito bom. Estava farto de estar fechado em casa, farto de não poder trabalhar, farto de me sentir inútil.
Tinha cancro mas não era por isso que não podia trabalhar. Para além disso, ver todos os dias a minha namorada ir trabalhar e eu ficar em casa era algo que me dava volta ao estômago. Talvez seja um pouco machista mas foi a maneira pela qual fui educado. O homem ficar na cama e ver a mulher ir trabalhar nunca me iria entrar na cabeça, mesmo eu tendo cancro sentia-me mal por isso…
A hora do almoço chegou e com a conversa animada a granny apresentou-me toda a sua família por fotografias os seus filhos, netos, e irmãs. Eu contei a parte da minha história, como conheci a minha namorada, as nossas famílias etc… e nesta conversa ela confessou-me algo: - “ Quando te vi à minha porta, logo após te ter encontrado na igreja, não me lembrava da tua cara nem do que tinhas sequer vestido. Apenas me lembrava da cruz que tens ao peito e dos teus olhos. Mas foram esses mesmos que me abriram o coração para ti, pelos teus olhos é possível ver-se a tua beleza interior…”
Apenas respondi que era apenas normal. – “ Sou apenas um como tantos outros granny” e voltei ao trabalho.
Por volta das 5 da tarde a minha namorada chegou e a granny disse que se iria retirar para o seu quarto e deixar-nos viver como em família a nossa primeira noite.
Cozinhamos a nossa primeira refeição juntos e jantamos pela primeira vez sozinhos como família. Um momento inesquecível da minha vida.
Felizmente nos dias que se seguiram todos eles se tornaram inesquecíveis e as surpresas ainda não tinham ficado por aqui.
No dia seguinte pela hora do almoço outra surpresa esperava-nos. A nossa granny decidiu nos oferecer a nossa cama. A principio recusei mas tive de aceitar o inevitável e assim a tarde fomos ver a cama à loja. Era mais que perfeita e sem mais conversas a gran
ny compro-nos a cama.Tínhamos onde nos deitar, tínhamos onde comer e mais importante que tudo tínhamos paz. Era perfeito. O meu paraíso na Terra.
Os dias seguintes foram como uma escola de conhecimento. Aprendi imenso com as pessoas que conheci e com as histórias que a granny me contou. As histórias de seus pais terem acolhido um órfão em Viena durante a 1 Guerra Mundial e quando ela acolheu uma viúva e seus dois filhos durante a 2 Guerra Mundial, isto para me explicar que a sua família não era estranha a este tipo de coisas.
Contou-me todas as historias do seu marido, Rudi Lomberg, que tinha lutado pela Alemanha durante a segunda guerra e veio para Inglaterra como POW (Prisioner Of War) , mas também ele foi acolhido mais tarde por uma família inglesa e mais tarde conheceram-se os dois no primeiro dia do colégio e desde aí não se separaram.
O facto de o Rudi ter lutado por uma Europa NAZI não quer dizer que ele quisesse mal a ninguém, antes pelo contrario ele era uma excelente pessoa, amorosa e amigável com todos os diferentes povos os quais a Alemanha assimilou durante 1939-1945. A moral desta historia é que todas as pessoas são diferentes e assim sendo em todas as religiões, países, etc, existem pessoas boas e más. Não é o facto de ter lutado por um governo NAZI que pretendia aniquilar a raça judia, o faz uma má pessoa, nem todos os soldados alemães queriam lutar e acredito que se lhes dessem a escolher nenhum deles quereria matar.
Aprendi o verdadeiro valor do dinheiro, em poucas palavras não vale nada. O dinheiro pode te comprar todos os bens materiais que quiseres mas é isso que interessa na vida? São os bens materiais que tens que interessam? Quando morreres, leva-los contigo?
É algo inexplicável como o ser humano em vez de cultivar amor pelo próximo cultiva ganância. Aprendi com as histórias da sua vida de pobreza que o dinheiro não interessa, amor é o mais importante na nossa vida.
Com isto é fácil ver como fui recebido pelos seus filhos: Nenhum deles questionou a minha história ou a sua veracidade, apenas me acolheram de braços abertos, como um deles. Foram todos eles formidáveis para connosco, especialmente a sua filha.
Aprendi imenso e cresci imenso vivendo naquela morada. Tinha paz agora para poder pensar na minha vida e para resolver o meu problema de saúde.
Foi um milagre a minha mãe nos ter posto fora de casa e, se assim ela não tivesse feito, nós teríamos ficado privados de tamanha aprendizagem sobre a vida.
A nossa vida continuou neste ritmo e fui por duas vezes mais ao hospital mas apenas para o cirurgião verificar se tinha recuperado bem da cirurgia e tive então a oportunidade de mudar a minha morada para qualquer carta ou aviso que eu tivesse de receber.
Quarta-feira, 16 de Setembro 2004
Dias mais tarde a minha mãe telefonou-me dizendo que tinha uma carta para mim. Era provavelmente do médico com novidades.
Disse á Granny do que se tinha passado e peguei na bicicleta e logo fui em direcção a casa de minha mãe.
Indo pelos vales e subindo e descendo montes em vez de simplesmente ter ido pela estrada lá cheguei.
Pedi-lhe para que me entregasse a carta e as coisas que eu tinha lá deixado quando nos fomos embora… Ela pediu para que eu entrasse mas recusei, o meu irmão veio á porta e dei-lhe um abraço sentido. Peguei nas minhas coisas, abri a carta e preparei-me para me ir embora… A minha mãe perguntou-me o que a carta dizia, disse-lhe que ela não tinha nada a ver com isso, se tinha feito o que fez não precisava de saber.
Saí deixando ela para trás a chorar. No fim da rua encontrei a Anita que me perguntou o que é que eu tinha ido lá fazer, disse-lhe que foi por causa da carta e contei-lhe o que se tinha passado ao que ela respondeu:
- Tomaste a decisão acertada!
Despedi-me dela, dei mais umas pedaladas e senti um aperto enorme no coração. O que tinha feito estava errado. Voltei para trás e fui abraçar a minha mãe que acabou por chorar nos meus ombros. Em seguida disse-lhe o que a carta dizia:
“Tentei contacta-lo pelo telefone mas chegou-me a informação que o senhor não vive mais na mesma morada. Estou contente de lhe informar que no CT Scan não se encontram nenhuns sinais de o cancro se ter espalhado e assim só irá necessitar de duas sessões de quimioterapia.
Ficar-lhe-ia extremamente agradecido se me pudesse contactar para podermos organizar as consultas para que o tratamento fique completo o mais rápido possível.”
Ficamos ambos imensamente contentes com as noticias e logo me pus a caminho de casa da Granny para contar a boa nova.
A minha namorada já estava em casa e depois de lhe ter contado o que a carta dizia ambos celebramos.
Na manha seguinte contactei a secretaria do médico dando-lhe a nova morada e o novo número de telefone. Agora apenas teria de esperar que me voltassem a contactar.
Do muito mau, para o muito bom. A vida muda num só dia, quando menos esperas tudo muda, cabe-te a ti estar preparado para essas mudanças…
Sempre a espera do melhor. Mas sempre preparados para o pior!

Um comentário:
ainda bem que tudo acabou bem, best ending ever <3
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